E mais uma vez Sara acordou, "é só mais um desses ociosos domingos que seguem os sábados tediosos e chatos", pensou. E, abrindo os olhos devagar, espiou pela janela e viu que já estava claro. De fato, eram dez da manhã e então lembrou que no sábado tinha acordado às duas da tarde. Bela dorminhoca.
Levantou devagar, se espreguiçando por ora, e andando levagar foi até o banheiro, molhou seu rosto todo marcado e se olhou no espelho. Ah, aquela cara. Aquele rosto que vê todos os dias, todas as tardes, todas as manhãs e todas as noites. Estava realmente cansada daquele rosto e, a cada dia que passava, esperava que algo novo e especialmente único acontecesse. Mas isso nunca chegou a acontecer. Por isso aquela cara.
Resmungando alguma coisa banal, desceu as escadas e foi pegar o jornal, o famoso jornal de domingo. Como sempre fazia, separou a sua parte preferida, pegou também uma revista que vinha junto e sentou-se junto à mesa da cozinha. Ah, o domingo.
Foi até o armário e encontrou um pacote de bolacha fechado. Abriu, comeu, bebeu água. Tudo parecia tão comum e ao mesmo tempo tão diferente. No fim ela acabaria percebendo que era só um dos seus dias bobos e parados. Mas de quem era a culpa?
Sentou-se no computador, digitou algumas palavras, mas nada parecia agradável o bastante. Foi para o seu quarto e tentou dormir de novo.
"Logo, chegaria a segunda-feira".