São assim, pensamentos oblíquos, ainda vagos, que perambulam entre travesseiros e chuveiros. Todos os dias, todas as horas, todos os segundos. Seguidos de um som desconhecido, uma voz fria e aguda que não deixa se penetrar no seu próprio eu. Uma frase curta que abrevia uma vida inteira e, ainda assim, morre num falso ponto final. Muitas vezes me sinto enterrada viva. Acordei com essa sensação, de desperdício de vida. Um copo d’água. Dois. Três. Janelas pela qual você pode ver o exterior ou o interior. Gosto de água. Aqueles pensamentos tolos, que se emaranham de uma forma imbecil. E eu esqueço ali, usando a desculpa mais que enferrujada da preguiça. Esfregando os olhos, prefiro mantê-los fechados. De braços cruzados, encaro uma tela em branco & preto. Com que intenção...? Sentir aquela melodia tocar-te à alma é confortável e te traz de volta ao lar. Cansei de frases curtas. No entanto nada me impede de continuar a usá-las. O informal desaparece subitamente, de repente não sei escrever coisas aleatórias. Não. Os mares que descortinam bem em frente ao seu umbigo, eu fico sem palavras, sem estômago, sem olhos, sem cérebro. Eu não sei caber em mim. Assuntos pegajosos e exagerados. Ontem estava tão entediada que resolvi fechar os olhos por dois minutos, ou oitenta. O sono preguiçoso se estendeu pelo corpo todo, passando pelas pernas curvadas e costas doloridas, parando na ponta do meu dedo indicador. E lá estava eu, a sonhar com piscinas imundas e escaladas de muros. Só assim para viajar ao inconsciente. Tão egocêntrica...
Preciso de estímulo cerebral, parei de pensar. Virei uma máquina, um aparelho inútil. Nada mais me vêm à mente senão superficialidades. Erros de português fazem parte do meu dia-a-dia. Pesadelo confortável. Quanta bobagem! Ares culturais, preciso. Nada mais faço senão ler a mim e aos outros. Procuro inventar uma realidade brutal, um cotidiano forçado e esdrúxulo. Não reconheço as palavras. Elas vão se desgrudando de mim como quem nada quer, são estranhas, mero amontoado de letras. Sinto imensa falta de frutas. Quando parar para pensar sobre esse período banal, vou lembrar como se fosse um buraco negro. Gigante, vasto e profundo. Quando eu pensava demais e fazia de menos.