apenas

e reticências

Wednesday, July 29, 2009

 

OYASUMI

E foi com tal pensamento que ela seguiu, determinada, ao quarto dos fundos, numa tentativa de afogar tantos outros pensamentos que lhe surgiam subitamente à mente e corriam de um lado a outro do cérebro, deslizando por entre seus ouvidos, alcançando um dos ombros e escorregando para a ponta de seus dedos, de onde eram chacoalhados e tocavam o chão. Ela sabia. Há alguns minutos, estivera deitada sobre a grama do quintal (faz um calor abundante em janeiro), naquele estado em que o ar parece tão pesado e compressor que já não se sabe se está acordado ou não. Entre o estar e o não estar, ela fechava os olhos vagarosamente, quase como se de propósito, para atrair ainda mais o sono. “Amanhã vou ver o nascer do sol”. Essa era sua única certeza, e agarrou-se a ela o mais forte que pôde. Mas agora, agora tudo parecia desaparecer. O chão, as cortinas, seus sapatos, os retratos emoldurados e pendurados nas paredes, que se desmanchavam no ar.

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