apenas

e reticências

Friday, July 16, 2010

 
"Dali onde estava, diante da visão do oceano monocromático e revolto, dos pássaros e de seus incríveis mergulhos, sentindo o vento salgado e a água da chuva agirem sobre seu corpo até quase o dissolverem, tinha a convicção intuitiva de que a beleza dessas coisas estava intimamente ligada a sua natureza inerte, ao fato de que eram apenas elementos agindo ao sabor de leis desprovidas de intenção ou significado. Quanto mais tempo permanecia ali sentada, mais a fundo seus sentidos absorviam aquela paisagem e maior era a beleza de tudo, da paisagem e dela própria, pois já não havia diferença entre ela e o mundo. Era feita da mesma coisa de que a água era feita, da mesma coisa que os granículos de rocha esbranquiçados, que os animais alados cobertos de penas negras, que o ar se deslocando com fúria e encrespando as ondas, e não enxergava nada de divino nessas coisas nem em si mesma porque não havia necessidade de explicar nada, de preencher nenhuma zona obscura, nada disso."
cordilheira, daniel galera

Comments: Post a Comment

Subscribe to Post Comments [Atom]





<< Home

Archives

April 2005   September 2005   October 2005   February 2006   October 2006   November 2006   December 2006   January 2007   February 2007   April 2007   June 2007   July 2007   August 2007   September 2007   October 2007   November 2007   December 2007   January 2008   February 2008   April 2008   May 2008   June 2008   July 2008   August 2008   September 2008   October 2008   November 2008   December 2008   January 2009   March 2009   April 2009   July 2009   August 2009   October 2009   January 2010   May 2010   June 2010   July 2010   August 2010   September 2010   October 2010   November 2010   December 2010   January 2011   February 2011   March 2011   April 2011   May 2011   June 2011   July 2011   August 2011   October 2011   January 2012  

This page is powered by Blogger. Isn't yours?

Subscribe to Posts [Atom]