apenas
e reticências
Thursday, January 27, 2011
Maldizia, por fim, seu pensamento em suas mais divinas espécies, dom supremo que recebera e ao qual, sem que se soubesse dar-lhe o verdadeiro nome, foram dados todos os nomes - intuição do poeta, êxtase do crente, sentimento profundo da natureza e da música -, que perante seu amor pusera cumes, horizontes infindos, deixara-os banhar-se à luz sobrenatural de seu encanto e em troca emprestara ao amor dela um pouco do seu próprio, que interessara àquele amor, solidarizara-se com ele e confundira toda a sua mais alta e íntima vida interior, consagrara-lhe, como o tesouro de uma igreja à Madona, todas as mais preciosas relíquias de seu coração e pensamento, de seu coração, que ela ouvia gemer pelas festas ou no mar, cuja melancolia era agora irmã daquela que sentia por não vê-lo: maldizia este inexprimível sentimento do mistério das coisas em que nosso espírito se abisma num reluzir de beleza, como o sol se pondo no mar, por ter aprofundado o seu amor, tê-lo imaterializado, alargado, tornado-o infinito, sem torná-lo menos torturante, "pois - como disse Baudelaire, ao falar das tardes de outono - há certas sensações de que o indefinido não exclui a intensidade, e ponta mais aguçada não há que a do infinito".o fim do ciúme e outros contos, proust
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